Alagoas Propõe Graduação em Direito Como Requisito Para Oficiais da Polícia Militar
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- 22 de dez. de 2025
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O Governo de Alagoas encaminhou à Assembleia Legislativa estadual um projeto de lei que promove mudanças estruturais na Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) e estabelece a formação em Direito como pré-requisito obrigatório para ingresso na carreira de oficial da corporação. A proposta foi publicada no Suplemento do Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (19) e visa adequar a legislação alagoana às determinações da Lei Federal nº 14.751/2023, que instituiu a nova Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares, padronizando as estruturas das corporações em todo o território brasileiro.

Bacharelado em Direito Passa a Ser Obrigatório
De acordo com o texto enviado ao Legislativo, o acesso ao Quadro de Oficiais de Estado-Maior (QOEM) ficará condicionado à apresentação de diploma de bacharel em Direito, devidamente reconhecido pelo Ministério da Educação.
Segundo o Executivo estadual, a medida tem como objetivo fortalecer a capacidade jurídica e estratégica dos oficiais que ocupam funções de comando e gestão na Polícia Militar. A exigência reflete a crescente complexidade das atribuições policiais militares, que demandam conhecimento aprofundado em aspectos legais, constitucionais e de direitos humanos.
Regra de Transição Prevê Implementação Gradual
O projeto de lei estabelece um período de transição para implementação da nova exigência, permitindo adaptação gradual ao longo de até seis anos a partir da vigência da norma federal. Este prazo visa assegurar tempo adequado para que candidatos interessados possam obter a formação necessária e para que a administração pública organize os próximos concursos conforme as novas diretrizes.
A regra transitória demonstra preocupação com a segurança jurídica e com a não exclusão abrupta de candidatos que já vinham se preparando para os certames sob as regras anteriores.
Atualização de Nomenclaturas dos Quadros
Além da nova exigência acadêmica, a proposta legislativa promove modernização e padronização das nomenclaturas dos quadros funcionais da corporação, alinhando-as ao padrão nacional estabelecido pela lei federal.
As principais alterações de denominação são: o Quadro de Oficial Combatente (QOC) passa a ser denominado Quadro de Oficial de Estado-Maior (QOEM), o Quadro de Oficial de Administração (QOA) será renomeado para Quadro de Oficial Especialista (QOE), e o Quadro de Praça Combatente (QPC) será integrado ao Quadro de Praças (QP).
Essas mudanças buscam uniformizar a terminologia utilizada pelas polícias militares brasileiras, facilitando a comunicação institucional e a mobilidade de profissionais entre diferentes estados.
Impacto Financeiro e Estrutura Hierárquica
Conforme informações do Governo de Alagoas, as alterações propostas possuem caráter essencialmente administrativo e não geram impacto financeiro adicional aos cofres públicos estaduais. A reorganização mantém a estrutura de custos atual da corporação.
A organização hierárquica dos oficiais permanece inalterada, preservando os postos que vão de 2º Tenente até Coronel, distribuídos nas categorias de oficiais subalternos (2º Tenente e 1º Tenente), oficiais intermediários (Capitão) e oficiais superiores (Major, Tenente-Coronel e Coronel).
Efetivo Previsto Para o Quadro de Oficiais
O projeto estabelece que o efetivo previsto para o Quadro de Oficiais de Estado-Maior será de 705 militares. Segundo o Executivo estadual, este quantitativo foi calculado para manter o equilíbrio fiscal do Estado, respeitando os limites de gastos com pessoal estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O dimensionamento do efetivo atende à necessidade operacional da corporação e garante capacidade adequada para as atividades de comando, gestão e operações da Polícia Militar em todo o território alagoano.
Alinhamento às Normas Nacionais
De acordo com o Governo, a padronização promovida pelo projeto de lei evita insegurança jurídica e garante que a Polícia Militar de Alagoas atue em conformidade com as normas técnicas e legais adotadas pelas demais corporações militares do país.
A adequação à Lei Federal nº 14.751/2023 é obrigatória para todas as unidades da federação e representa um movimento de modernização e profissionalização das polícias militares brasileiras, buscando maior eficiência, capacitação técnica e respeito aos direitos fundamentais.
Tramitação na Assembleia Legislativa
Com o envio do projeto à Assembleia Legislativa de Alagoas, inicia-se o processo de tramitação nas comissões técnicas e posterior votação em plenário. Os deputados estaduais analisarão o texto, poderão propor emendas e, ao final, decidirão pela aprovação ou rejeição da proposta.
Caso aprovado pelo Legislativo, o projeto retornará ao Governador para sanção e posterior publicação, quando então entrará em vigor e começará a produzir efeitos jurídicos, incluindo a contagem do prazo de transição de seis anos para plena implementação da exigência de graduação em Direito.
Impactos Para Futuros Concursos
A aprovação deste projeto terá impacto direto nos próximos concursos para oficial da PM-AL. Os editais deverão contemplar a nova exigência de formação superior em Direito para o Quadro de Oficiais de Estado-Maior, alterando significativamente o perfil de candidatos que poderão concorrer às vagas.
Esta mudança acompanha uma tendência nacional de maior qualificação acadêmica dos oficiais das forças de segurança, reconhecendo que o exercício de funções de comando exige não apenas preparo físico e operacional, mas também sólida formação jurídica para tomada de decisões em conformidade com o ordenamento legal.
Para candidatos que já se preparam para concursos da PM-AL, é fundamental acompanhar a tramitação deste projeto e, caso ainda não possuam, considerar a obtenção da graduação em Direito para atender aos novos requisitos que entrarão em vigor nos próximos anos.




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